O Parto - Continuação

O Loirinho ria mas não conseguia esconder um nervoso miudinho muito grande. Mas estava em grande. Para quem quase tinha desmaiado na primeira aula PPP por causa de conversa de cordões e hérnias, o meu Loirinho estava em grande. A adrenalina do momento estava a dar as cartas. Observou onde tinha a epidural, o meu cateter com sangue não lhe causou tremeliques e ali estava ele de pedra e cal a dar-me apoio!

5 dedos de dilatação- ouvi a enfermeira dizer à minha obstetra.

Passado uma hora rebentaram-me as águas mas continuava com 5 dedos de dilatação. Quero uma “OP” para a sala 1 se faz favor! – Acho que foi isto que percebi a minha médica a pedir. Mas como ela é uma querida e percebeu a minha cara de inquérito, lá me explicou que iam dar ocitocina para ajudar à dilatação, que estava muito lenta.

Passado uma hora voltei a sentir as dores das contracções e quando a enfermeira apareceu perguntei se podia voltar a levar mais anestesia, mas já não dava, eu já estava quase pronta para ter a Araganita The Second.

De seguida apareceram duas parteiras; uma experiente, outra ainda a aprender. Agora assim que tiver vontade pode começar a fazer força. – Mas não dá mesmo para eu levar mais anestesia? – Minha filha. Se levar a repicagem pode ficar sem força para ter a bebé. Palavras sábias que foram buscar todas as forças que eu tinha para aquele momento.

A vontade de fazer força chegou. Agarrada aos joelhos, fiz toda que tinha e mais alguma. O Loirinho estava lá a dar o apoio que eu precisava, apesar de estar de olhos fechados sentia-o ali ao meu lado, ouvia tudo o que me dizia: Estás a portar-te lindamente. Força. Vá, respira. Já não falta muito. Eu estou aqui. Estás a fazer tudo bem. AGORA NÃO FAÇA FORÇA – Disse de repente a parteira. Eu sabia o que aquilo queria dizer. O Loirinho também e viu a rapidez com que tiraram o cordão umbilical do pescoço da menina. Olha a nossa filha Aragana! – Inclinei-me mais, abri os olhos e lá estava ela, linda, perfeita, roxinha. No quarto entoou o seu primeiro choro. Estiquei-lhe os braços e puxei-a para mim. Encostada ao meu peito, beijei-a e chorei. Corriam-nos as lágrimas de felicidade. Ali estava a nossa filha.

O Loirinho cortou o cordão umbilical e junto com a parteira levou-a para fazer as rotinas. Tudo mais que OK. Índice de Apgar: 10! 3,580Kg e 49,5cm!

Quando voltou, foi imediatamente colocada no meu peito. Não sei quando tempo mamou, porque nós perdemo-nos naquele momento, na sua intensidade.

O dia 30 de Setembro vai ficar para sempre na história. Na nossa história.

E quase um mês depois, quase 1 kg depois, continuamos envolvidos na intensidade da chegada deste novo ser na família. Loirinho, Araganita, eu; estamos perdidamente apaixonados pela Araganita The Second. Linda, mamona (2 em 2 horas com pontualidade britânica! Imaginem o cansaço de quem não dorme seguido mais que isto e anda sempre de mamas de fora!) enérgica, sossegada e muito bem disposta!

O Parto

O parto da minha Araganita mais velha já tinha sido bonito e muito emotivo. Garanto, a todos aqueles que ainda não sabem o sabor da maternidade/paternidade que é o momento mais marcante da nossa vida. Não há igual. Mas, o parto da minha Araganita The Second foi não só lindo, como muito mais rápido!

O meu irmão Aragano já há alguns dias, que na sua preocupação, vinha fazer-me companhia nas tardes abafadas de mais de 30 graus de final de Setembro. As duas últimas semanas foram pautadas, não só pelas eleições e campanhas eleitorais, mas de contracções irregulares e perdas de rolhão mucoso com fartura, o que me deixava ainda mais ansiosa e sempre à espera do começo do trabalho de parto. Até ataques de ansiedade tinha. Quase não comia devido ao refluxo e azia, e mexer-me já era uma tarefa muito complicada. Houve minutos que chorei de frustração pelas minhas limitações.

No dia 29 de Setembro, estava como meu irmão a ver a turboTV (imagine-se… rali amador em Inglaterra!) e a debater alegremente a potência dos carros, quando reparo que as contracções estavam a vir de forma regular há já algum tempo. Eram 17 horas. Comecei a contar e sim, vinham de 10 em 10 minutos. Cerca das 18h20m liguei ao Loirinho a dizer que era melhor dar um salto à maternidade para verificar se o trabalho de parto já tinha começado. Não tinha a certeza absoluta porque a dor não era assim muito grande e algumas contracções continuavam a falhar nos 10 minutos.

Enviei a minha Araganita com o meu irmão para a avó, sossegando-a que tudo iria correr bem e lá parti para a maternidade.

Chegada e ligada ao CTG, lá estavam elas, as contracções de 10 em 10 minutos. O colo permeável a 2 dedos, mas dado o meu historial de não fazer dilatação rápida, disseram-me para ir passar a noite a casa e para voltar no outro dia de manhã. Volte esta noite se as dores ficarem mais fortes, ok? Ok.

A noite foi longa. O Loirinho dormia. Às 7 em ponto deixei o despertador tocar e disse ao Loirinho que tínhamos de ir para a Maternidade. As dores estavam mais fortes e de 5 em 5 minutos. Mais 5 minutos amor… E eu deixei-o dormir mais 5 minutos. Fui tomar banho, vesti-me e ainda tomámos o pequeno-almoço. Uma tosta mista e sumo.

A viagem correu normal em hora de ponta Lisboeta. Os solavancos faziam-me confusão. Ainda tentei ouvir rádio mas não dava. O meu arfar de 5 em 5 minutos como mandam os exercícios que aprendi nas aulas PPP eram mais fortes que os locutores da Comercial. O Loirinho só dizia Estamos quase a chegar amor…

Chegados, disse ao Loirinho que não valia a pena deixar-me à porta pois o ideal era andar e ele meteu o carro no parque subterrâneo. Mas hoje vejo que foi uma má escolha porque fiz uma figurinha linda a parar em todo o lado para ter mais uma contracção e bufar e arfar.

Claro está que fiquei internada, mas ainda só tinha 3 dedos de dilatação. Os enfermeiros metiam-se comigo por estar tão bem comportada e a fazer tão bem os exercícios! Enquanto era ligada ao CTG na sala de parto dizem-me que tenho de ceder a sala para uma parturiente que entrou de urgência e lá fui eu recambiada para uma sala de partos mais “humanizados” que, pasmem-se, estava sempre vazia! Pudera. Nesta altura pergunta-me a enfermeira se eu queria a epidural, ao que respondo: quero! quero! quero! quero! Mas não sei se a posso levar por causa de uma estúpida tatuagem que fiz há uns 9 anos no fundo das costas.Menina, claro que vai levar a Epidural que hoje está cá um anestesista que encontra aí um espacinho e dá-lha. Não se preocupe. Eram 11 horas.

As dores começaram apertar e eu já não arfava, já bufava tipo o lobo mau a tentar deitar abaixo a casinha de tijolo dos 3 porquinhos. Enquanto a tipa que ficou no meu quarto paria, lá vinham os enfermeiros falar comigo e eu lá conversava sobre carros, sobre a bimby e sobre outras cenas, mas a verdade é que cada vez que vinha mais uma contracção, eu já via bolinhas de todas as cores e elefantes a andar de bicicleta. Já não aguentava mais. Já não bufava, já gania. O enfermeiro perguntou-me onde estava o marido. – Deixe-o estar lá fora! Traga-me o anestesista, por favor! Eram 12 horas. Então, estava a portar-se tão bem… - Eu QUERIA continuar a portar-me bem, mas NÃO CONSIGO!!!

Pouco depois o meu quarto vagou e lá fui eu de soro na mão a perguntar a todos pelo anestesista e a jurar que iria remover a tatuagem assim saísse dali e a dizer à minha obstetra que “aquilo” estava mau…

Pouco depois chegou o anestesista com a enfermeira que lhe dizia que eu tinha uma tatuagem e que eu tinha medo de não poder levar a epidural. Mas o Dr. que se ria do meu “medo” (principalmente depois de ter constatado que a minha tatuagem era uma dragão pequeno) disse que ia arranjar um “espacinho” e arranjou.

Cerca das 13 horas lá trouxeram o Loirinho que me viu com um sorriso enorme. I love drugs dizia-lhe eu. Mas ele não sabia as 3 horas negras que eu tinha tido mais atrás. Parto humanizado? Mas há lá coisa mais humana que parar as dores?...Gandas malucas… Uh uh uh.. gosto taaanto de ti meu Loirinho…

Ele ria-se.



Continua…

Pessoal!

Obrigado por todos os comentários! Que bom ser assim acarinhada por aqui!

Tenho um artigo que está a ser escrito "às mijinhas". Enquanto me adapto aos horários da Araganita mais pecanina, e ela se adapta ao mundo.
Creio poder terminar entre hoje e amanhã.

Inté lá, obrigado mais uma vez pelas visitas, preocupação e comentários :-)

Nasceu a Araganita The Second

A minha princesa nasceu linda e saudável com 3500kg e 49 cm.

Mama como uma doida e já impõe respeitinho quando abre a goela. Sai à mãe, dizem vós :-)

Por hoje é só o que há para dizer. Não durmo há 3 noites. Mas vocês merecem.

Uma foto. Será a única. A indispensável. A obrigatória. Claro.
Obrigado pelas palavras de apoio e de "horas pequeninas" (foram uma companhia). Depois contarei como foi a minha "hora".

Confirma-se. A malta não tem juizo.

Esqueceram-se das manifestações todas dos últimos 4 anos. Esqueceram-se da politica bulldozer do quero-posso-mando-faço-se-não-sais-da-frente-levas, esqueceram que um jornal foi silenciado às portas das eleições, esqueceram... tudo.

E prontes. Deixa-me falar enquanto posso.

E perguntam vocês; O que eu acho mesmo, mesmo, mesmo? MESMO? MESMO? MESMO?

A malta gosta é de andar com eles apertadinhos.





PS - A Abstenção é uma VERGONHA. Digam o que quiserem. Que não sabem, que não conhecem, que não apetece, que é forma de protesto.
Não há desculpa. A abstenção é uma vergonha.

Os Amigos

Persegue-me

AntiquAraganário